Bloco de Leitura. Livro de hoje: Mestre Gil de Ham, de J.R.R. Tolkien.

Livro Mestre Gil de Ham - J.R.R. Tolkien
Livro Mestre Gil de Ham – J.R.R. Tolkien

Olá, pessoal!

Estou iniciando hoje um novo bloco do blog, destinado a relatar um pouco de minhas leituras pessoas. Afinal, todo bom escritor tem que ser um bom leitor, não é mesmo? Sendo assim, inaugurando esse novo bloco, fique agora com um pouco de: Mestre Gil de Ham, livro do meu autor preferido – J.R.R. Tolkien.

Mestre Gil de Ham, assim como O Hobbit e Roverandom, foi criado por J.R.R. Tolkien, inicialmente, como uma história para divertir e entreter seus filhos. Mas a história cresceu e se tornou um livro divertido, repleto de muita imaginação e bom humor, capaz de agradar o público infantil, bem como jovens e adultos de todas as idades, principalmente os fans do autor.

Foto Livro Mestre Gil de Ham de J.R.R Tolkien. Foto de Dani Ferreira
Foto Livro Mestre Gil de Ham de J.R.R Tolkien. Foto de Dani Ferreira

Essa edição também vem com a primeira versão da história, recuperada dos manuscritos de Tolkien. Nessa versão manuscrita, apreciamos a história segundo uma narrativa mais tipo de pai para filho, podendo perceber ainda mais o talento de Tolkien como contador de histórias.

Ainda nessa área do livro destinada ao manuscrito, a edição também acrescenta uma tentativa do autor de criar uma sequência para Mestre Gil de Ham. Nessa parte, encontramos várias anotações de Tolkien, algumas ideias não terminadas e um rascunho de um enredo, o qual não foi terminado. Particularmente, apreciei muito esse acréscimo do manuscrito, pois pude ver como o autor desenvolvia suas ideias, como começava a elaborar seus livros, partindo de contações simples, que acabavam se transformando em obras deliciosas, como é o caso de Mestre Gil de Ham.

O livro conta também com ilustrações de Alan Lee, que, além desse trabalho, ilustrou também: O Hobbit, O Senhor dos Anéis e Os Filhos de Húrin. Alan é considerado um dos maiores expoentes da “arte tolkieniana“. Foi responsável por criar o visual da Terra-média, para a trilogia O Senhor dos Anéis, filme de Peter Jackson, baseada na obra de Tolkien. Trabalhou também na concepção artística do filme O Hobbit: uma viagem inesperada.

A sinopse de Mestre Gil de Ham:

Essa divertida história, escrita pelo autor de O Hobbit, é ambientada no vale do Tâmisa, na Inglaterra, num passado maravilhoso e distante, quando ainda existiam gigantes e dragões. Seu herói, Mestre Gil, é na realidade um fazendeiro totalmente desprovido de heroísmo, mas, que, graças à boa sorte e à ajuda do cachorro Garm, da égua cinzenta e da espada Caudimordax (ou Morde-cauda), amansa o dragão Chrysophylax e ganha enorme fortuna.

Meu resumo sobre o livro:

Tudo começou quando um gigante, em meio a seus passeios de verão, acaba se perdendo na virada da noite e adentrando na fazenda de Mestre Gil, na aldeia de Ham. O gigante é, assim, avistado pelo cachorro de Gil, o qual atende por Garm, e passeava por aquelas bandas justamente naquela hora da noite. Extremamente apavorado com a aparição do gigante,  Garm corre em direção de seu dono, que estava em dormindo em casa.

Depois de ser acordado pelo cachorro e informado por ele sobre o gigante, que fazia estragos em suas terras, Gil finalmente se levanta e decide agir com bravura, assim como seu cão lhe desafiara. Assim, Gil apanha seu bacamarte e vai ao encontro do gigante. Encontrando o invasor, em meio ao espanto decorrido de tal encontro, Gil aponta seu bacamarte (carregado com um monte de pregos e afins) para o gigante, acertando-lhe no rosto. O gigante, por sua vez, pensa ser atingido por uma mosca desagradável e decide partir, por não apreciar insetos. Por sorte, Gil passa despercebido pelo gigante, expulsa o invasor e sai ileso de tal episódio extraordinário.

Dessa forma, com boatos da vitória de Gil sobre o gigante espalhados por toda Ham, inicia-se sua fama heroica, destacando sua bravura e muita coragem. Esses boatos crescem e se espalham cada vez mais, até que chegam aos ouvidos do Rei, que se impressiona com a fama do fazendeiro e lhe envia um presente real – uma espada há muito tempo esquecida em seus pertences, a qual ao menos sabia a origem ou história, sendo que não lhe era um bem muito precioso.

Com tamanha manifestação real, Gil se torna ainda mais benquisto por seus vizinhos, e sua fama se firma ainda mais na pequena aldeia. Tudo estava maravilhosamente bem até a chegada do dragão.

Após muitos anos sem o surgimento de dragões por aquele reino, o dragão Chrysophylax resolve voltar por aquelas redondezas, fazendo estragos estrondosos por onde quer que passasse. Os cavaleiros reais estavam muito ocupados em seus torneios para voltar sua atenção ao aparecimento do dragão, então, o surgimento da criatura tornou-se destaque nas conversas do povo de Ham, que começavam a esperar alguma atitude heroica por parte de Gil.

O tempo vai se passando e Chrysophylax vai se aproximando da pequena aldeia. A pressão sobre Gil começa a crescer, ainda mais depois que os habitantes de Ham descobrem que a espada enviada pelo Rei não era uma espada comum. Acontece que, com a chegada do dragão nas proximidades de Ham, a espada se recusava a ficar em sua bainha, chamando a atenção do pároco de Ham, que, percebendo as escrituras na espada e sendo um erudito, começou a estudá-las. Fazendo isso, o pároco descobre que a espada em questão não era uma espada comum. Ela era Caudimordax, ou, na língua do povo, Morde-cauda, a espada que mais devastara dragões, que se recusava a entrar na bainha enquanto houvesse dragões próximos.

Sendo assim, com o dragão cada vez mais próximo, Gil não consegue mais criar justificativas e desculpas para não partir na missão, então, ele ruma em direção ao dragão. Com a ajuda da égua cinzenta, bem como a poderosa espada Morde-cauda, Gil espanta o dragão, que promete um grande tesouro aos aldeães, caso fosse poupado da morte.

Gil cede às súplicas de Chrysophylax, que com toda a sua astúcia, consegue ludibriar os moradores de Ham, fazendo-os acreditar na promessa de retornar com um grande tesouro em recompensa por lhe deixar viver. Essa história não fica em segredo e, novamente, cai nos ouvido do Rei, que vai ao encontro dos aldeões de olho nas riquezas prometidas pelo dragão.

No entanto, Chrysophylax não retorna, e o Rei envia Gil e seus cavalheiro na moradia do dragão. Sem ter como questionar as ordens do Rei, Gil vai até a caverna de Chrysophylax. O dragão consegue espantar os cavalheiros reais, mas, ao ver Gil, o detentor de Morde-cauda, a espada que mais aniquilara dragões, Chrysophylax se intimida e se vê obrigado a cumprir suas promessas.

Com Morde-cauda em punhos, Gil consegue uma boa parte do tesouro do dragão, que, em um acordo camarada, leva a riqueza para a casa do fazendeiro, já que ele o deixara manter boa parte de seu tesouro em sua caverna. Além de transportar tais riquezas, o dragão promete um laço de amizade entre ele e Gil, por o fazendeiro poupar-lhe a vida e lhe permitir ficar com boa parte de seu tesouro.

Mas, novamente, os boatos do retorno de Gil chegam aos ouvidos do Rei, que vai ao encontro do fazendeiro para exigir o tesouro que – em sua real opinião – era dele. No entanto, com Chrysophylax ao seu lado, Gil se impõe sobre o Rei e espanta suas tropas reais, acabando com sua autoridade em toda a aldeia. Gil se torna, assim, o Bom Amado de Ham, depois, Conde, até que se torna o Rei de Ham, cercado de riquezas e súditos fiéis.

Com o tempo e com a consolidação do reinado de Gil em Ham, o antes fazendeiro permite que o dragão Chrysophylax retorne para seu lar, onde deixara boa parte de seu tesouro. O dragão, mesmo passando por muita humilhação ao ter sido usado como animal de carga de Gil, guardara um bom sentimento pelo homem, que mesmo tendo o poder de aniquila-lo, o poupara a vida e lhe deixara com boa parte de seu tesouro.

Minha opinião:

Sinto-me agraciada por ter essa obra em minha estante. Tolkien se mostra um autor incrível tanto em histórias extremamente longas, como é o caso de O Senhor dos Anéis, como em histórias curtas, como é o caso de Mestre Gil de Ham. Um livro totalmente apreciável, para todas as idades, como promete essa edição da WMF Martins Fontes. Incrível a sutileza, a narrativa leve, a criação de palavras e termos (mais uma vez somos agraciados com o intelecto linguista de Tolkien), a imaginação e o talento do autor como contador de histórias. Uma ótima história. Obviamente, eu recomendo.

Espero que vocês também tenham gostado de conhecer essa obra e que também tenham a oportunidade de ler esse livro.

Até o próximo post do bloco Leitura.

Saudações,

Dani Ferreira.