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Quando a ideia do meu primeiro livro nasceu (A Irmandade Secreta), eu não priorizei uma classificação técnica, como por exemplo, de gênero literário. Meu foco foi trabalhar os elementos que eu particularmente aprecio como leitora e consumidora de conteúdo. Elementos como: romance, aventura, drama, conflitos com o mundo ao nosso redor, relacionamentos familiares, amizade, etc. Tudo isso entorno de uma trama recheada de fantasia, embora “justificada” por argumentos “pseudocientíficos”.

Assim, eu tinha certeza que queria muita fantasia e relacionamentos humanos bem descritos na história que me propunha a escrever. Nesse sentido, fui muito influenciada pelos meus autores favoritos, como Tolkien, Rick Riordan e J.K. Rowling.

Da mesma forma, sentia uma necessidade de agregar valor cristão ao enredo, tanto pela influência cristã em minha formação como ser humano quanto pelo desejo de propagar as virtudes do Reino — mesmo em uma forma de entretenimento. Afinal, creio que possamos (e devemos!) louvar a Deus em todo tempo — e em quaisquer atividades do nosso dia-a-dia. E isso não é algo penoso e pode sim ser envolto por diversão e entretenimento. Eu sempre cultivei isso em minha vida e pratico esse pensamento continuamente em minha rotina.

Desse modo, além dos autores citados anteriormente, também fui muito impactada pelo idealismo literário que C.S Lewis incutiu em sua obra “As Crônicas de Nárnia”. Sendo um teólogo e já tendo publicado títulos de não-ficção, o autor (inspirado e incentivado por Tolkien) se voltou para as maravilhas da ficção-fantástica, e produziu os livros que compõe a série “As Crônicas de Nárnia” com uma intenção muito perceptível dos Evangélicos. Como resultado, Lewis alcançou inúmeros leitores infanto-juvenis, de forma a entretê-los, encantá-los e ao mesmo tempo agregar em suas vidas valores cristãos. Foi nesse sentido que o sucesso e a inovação de Lewis me inspirou.

Cena de um dos filmes da série
Cena de um dos filmes da série “As Crônicas de Nárnia”

Tal como ele [Lewis], meu desejo como escritora era criar uma história interessante, gostosa de ler e ao mesmo tempo gerar no leitor uma percepção genuína dos valores cristãos. Não de denominações, religião ou preconceitos (conceitos pré-estabelecidos, na melhor definição da palavra). Mas a verdade imaculada de Cristo Jesus — que nos ama e é poderoso e eficaz para nos salvar.

Por outro lado, eu também via uma necessidade der criar algo diferente de Lewis — e do meu amado Tolkien. Até mesmo porque naquela época me sentia tecnicamente incapaz de produzir algo tão magnífico quanto às obras desses dois escritores geniais. Então, meditei muito sobre como eu poderia unir a fantasia (que realmente sou fan) a um novo estilo — propriamente meu e único. Foi assim que desenvolvi meu outro lado criativo — o da ficção-científica. Porém, não aquela ficção-científica clássica, mas uma mistura de argumentos “pseudocientíficos” com elementos românticos. Tal como vimos na famosa franquia de Star Wars — a qual cresci assistindo.

Em Star Wars observamos alguns elementos clássicos de ficção-científica, como as guerras interestelares, viagens pelo espaço, teletransporte, hologramas, etc. Mas também somos envolvidos por relações familiares intensas e uma luta profunda do bem contra o mal. Assim, diferentemente de Star Trek, eu vejo a franquia Star Wars mais como uma Novela familiar com atributos científicos fictícios do que uma ficção-científica clássica. E isso é ótimo! (Eu gosto de Star Wars e não gosto de Star Trek — justamente por isso, creio eu). Afinal, nessa mistura de gêneros e estilos, conseguimos desfrutar de uma perspectiva mais ampla da história, o que pode gerar mais emoção e envolvimento empático com a trama.

Cena de um dos filmes da franquia
Cena de um dos filmes da franquia “Star Wars”

Nesse ínterim, outro autor que muito me influenciou foi Júlio Verne. Passei minha adolescência imersa nas “20 mil léguas submarinas”, em “Viagem ao Centro da Terra” e curtindo a “Volta ao Mundo em 80 dias”. Fui arrebatada pelo intelecto admirável de Verne! E ele tem sua parcela de responsabilidade pelas minhas escolhas de estilo literário.

Nasce uma nova série…

Foi assim que nasceu a série Derek Dustin e As Crônicas do Rei. Primeiramente, assim como a maioria dos autores citados até aqui, sim, eu optei pela série. Por quê? Porque eu queria construir uma história em camadas. E, diferentemente do que muitos críticos dizem, eu sabia (e sei) para onde estou indo dentro da história, e acredito ter planejado bem o enredo de todos os 3 volumes que compõe a série. Além disso, por que não ir na contramão do que os críticos dizem com relação à produção de séries no Brasil (a maioria é veementemente contra e nem aceita avaliar meus livros!)?

Afinal, todos os meus livros têm um forte víeis crítico inclusive com relação ao que as pessoas (mesmo as influentes) dizem a nosso respeito. Não que eu menospreze a opinião de profissionais consagrados no mercado literário. Longe disso! Mas acredito que o escritor deve ter a liberdade e a autonomia de desenvolver sua narrativa da forma que acredite ser melhor tanto para a história quanto para o leitor — desde que o autor tenha a competência para fazê-lo (o que, pela opinião dos leitores, acredito tê-la alcançado). Pois creio que, junto com meus personagens e com a narrativa, meus leitores vão crescendo à medida que a trama se desenvolve nas 3 camadas que planejei para Derek Dustin e As Crônicas do Rei.  Além disso, também percebo certo estranhamento das pessoas com relação ao nome da trilogia, claramente influenciada por obras internacionais.

Sinceramente, eu gosto e admiro muito autores nacionais como Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, etc. Mas minha paixão são obras de autores como Tolkien e Verne! Além disso, sou aficionada pelas animações da Pixar, Disney, DreamWorks, etc. Pelos filmes como Rocky, O Poderoso Chefão, A Lenda do Tesouro Perdido, Indiana Jones e tantos outros. Por que, como brasileira, eu devo ficar presa ao que ditam como cultura brasileira? Nem mesmo Tolkien ficou preso à (rica, em minha opinião) cultura inglesa. O autor claramente dá preferência aos mitos finlandeses e nórdicos. Então, eu decidi seguir minhas paixões sim, sem, contudo, excluir meus costumes brasileiros. Quem lê meus livros, identifica a culinária brasileira e o carisma carioca, por exemplo. Mas, eu não vou negar meus gostos só porque os brasileiros vão questionar uma possível “desbrasilidade” em minhas obras. Quero ser íntegra no que eu faço, seja como for.

O meu estilo literário…

Nesse sentido, entra também meu lado cristão. Por muitas vezes temi que as pessoas não entendessem a forma pela qual trabalho os valores cristãos nos meus livros. Porém, hoje, também me sinto mais confiante nesse aspecto. Acima das minhas paixões literárias, está minha paixão por Jesus Cristo. E isso não poderia ficar de fora dos meus trabalhos. Todavia, meu intuito não é forçar uma evangelização. Não, eu quero muito genuinamente unir tudo o que descrevi até aqui em um novo estilo literário — o meu próprio — a saber, um híbrido composto por ficção-fantástica, ficção-científica e cristianismo. Seria possível justar tudo isso? Existe, de fato, alguma divergência entre esses estilos?

Eu acredito que é possível unir tudo isso de forma natural sim! Porque nós não somos uma coisa só. Como diz Sirius Black a Harry:

“O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós. O que importa é o lado o qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos.”.

Sirius Black, em uma das cenas de “Harry Potter e A Ordem da Fênix”

Há uma diversidade dentro de nós. Afinal, nossa própria composição humana tem partes diferentes: corpo, alma e espírito!

Então, eu creio que possamos desfrutar de coisas diferentes — desde que tenhamos um propósito em comum entre todas elas. No caso de Derek Dustin, eu abordo a espiritualidade cristã da seguinte forma:

Nós temos o mundo natural à nossa volta. Contudo, este mundo natural muitas vezes não é suficiente (e de fato não é!). Há dentro de nós certas necessidades espirituais. E, muitas vezes, nós não nos damos conta disso ou ao menos conhecemos essa realidade. Assim, a jornada de Derek (personagem principal, que até mesmo faz um elo com os leitores), está muito entrelaçada aos seus limites naturais e seus anseios espirituais. Esses anseios ficam muito claros e definidos quando ele [Derek] conhece a Verdade, o Rei — quem se revela como a resposta única e suficiente para sua vida como um todo.

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Assim, hoje, com um pouco mais de experiência técnica, eu posso dizer que as obras que contemplam Derek Dustin e As Crônicas do Rei estão dentro do gênero ficção-científica. Porém, agrega também características de ficção-fantástica e dos subgêneros ficção-científica cristã e ficção-fantástica cristã. Além disso, entendo que o livro também se enquadra no que o mercado editorial chama de espiritualidade. Contudo, reforço que essa espiritualidade caminha mais pelo víeis do cristianismo — o mais genuíno possível — de modo não a excluir, mas a incluir cada vez mais leitores interessados em uma experiência de leitura divertida, emocionante e, ao mesmo tempo, que trabalha as carências espirituais que venhamos a ter como seres humanos.

Bem, dito tudo isso, eu espero ter esclarecido meu estilo literário àqueles que por ele se interessam. Se você quer saber mais sobre meus trabalhos literários, confira meus livros neste link. E, caso tenha ficado alguma dúvida, envie uma mensagem aqui. Muito obrigada por sua atenção e até a próxima!

Dani Ferreira.

Kit 3 Títulos Escritora Dani Ferreira